Como a economia circular pode transformar lixo em ouro

No começo de 2012, Alex Luiz Pereira estava decidido a fechar as portas da primeira cooperativa de lixo eletrônico de São Paulo. Dois anos antes, ele tinha fundado a empresa, chamada Coopermiti, para gerar empregos e aproveitar os componentes dos aparelhos que seriam desperdiçados.
Mas a situação não estava fácil. Os dirigentes do projeto abandonaram a iniciativa porque a venda dos resíduos eletrônicos não dava dinheiro suficiente. Além disso, a população não ajudava: o lixo eletrônico não estava chegando aos postos de reciclagem.

Alex não teve coragem de fechar a empresa, única fonte de sustento de 20 famílias de cooperados. Resolveu tentar pela última vez. Dessa vez, assumiu a gestão diretamente. Fez convênios com empresas e prefeituras. Para sua surpresa, o projeto andou. No galpão da cooperativa, na Zona Norte de São Paulo, ele mostra as carcaças de monitores, as placas-mães de laptops e uma infinidade de produtos descartados. “Aqui, por exemplo, tem uma pequena quantidade de ouro”, diz, mostrando uma placa verde e cheia de circuitos. “Nós a exportamos para o Japão. Com 70 toneladas dessa placa, eles conseguem fazer uma barra de ouro de 13 quilos.”

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A Coopermiti é uma das poucas unidades no Brasil a fazer um trabalho crucial: devolver ao processo produtivo aquilo que é considerado lixo. No caso dos eletrônicos, é uma tarefa mais complicada. A ONU estima que o Brasil gera 1,4 milhão de tonelada de lixo eletrônico por ano. Esse acúmulo de produtos descartados evidencia um dos grandes problemas de nosso atual modelo econômico: ele é linear. Nós retiramos a matéria-prima da Terra, como os minérios. Transformamos esses materiais, por meio do processo industrial, em computadores, geladeiras ou celulares. Quando, três anos depois, nosso iPhone deixa de funcionar, ele é simplesmente descartado em aterros, na melhor das hipóteses, ou nos gigantescos lixões que insistem em existir no país. Junto com nossos eletrônicos, vão para o lixão minérios raros e nobres. Estamos jogando ouro no lixo.

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